30 anos de BIMESP
A edição de 2026, em coprodução com o SESC Santo Amaro, celebra os 30 anos da BIMESP: 17 concertos e 94 obras entre 1 e 16 de outubro. A programação completa está no livreto.
A edição de 2026, em coprodução com o SESC Santo Amaro, celebra os 30 anos da BIMESP: 17 concertos e 94 obras entre 1 e 16 de outubro. A programação completa está no livreto.
Um mapa sonoro da criação eletroacústica e acusmática em Córdoba, Argentina, com obras de alunos e docentes da Faculdade de Artes da UNC e do fundacional Oscar Bazán. Curadoria de Cláudio Bazán.
O trio Ayako Okubo, Olivier Maurel e Clara Lévy apresenta quatro obras eletroacústicas mistas compostas no século XXI, entre elas a estreia mundial de Poética do Fogo, de Tiago Gati.
A Música Acusmática baseia-se em instrumentos eletroacústicos de estúdio e na escritura dos sons sobre suporte (como no caso de um filme sem imagem), visando dar forma a uma música feita de sons naturais, sintéticos ou “metamorfoseados” pela tecnologia que lhes confere uma arquitetura, uma intensidade, uma textura, uma cor específica. Compostos para orientar a escuta por si só, tais sons constituem um universo espaço-temporal esculpido pelo compositor e destinado a ganhar vida na memória e no imaginário do ouvinte. Para escutar a Música Acusmática, portanto, é aconselhável mergulhar nesse espaço sonoro oferecido à representação mental do ouvinte, com olhos semicerrados e em suave penumbra, cercado por uma floresta de alto-falantes densa o suficiente para enaltecer os relevos espaciais e os movimentos sonoros, dos sons mais sutis aos mais estrondosos.
A Bienal Internacional de Música Eletroacústica de São Paulo (BIMESP), mais importante evento do gênero nas Américas, teve sua primeira edição em 1996 e foi criada pelo compositor Flo Menezes à frente do Studio PANaroma de Música Eletroacústica da Unesp. Quando de seu nascimento, o evento se configurou como referência nacional e internacional na área das novas tecnologias aplicadas à composição musical imersiva e experimental, tendo à frente o principal centro de pesquisa e produção de música eletroacústica das Américas, o Studio PANaroma, e logo o festival se firmou no Brasil e no exterior como um evento obrigatório na agenda internacional da música contemporânea.
Em constante parceria com o SESC de São Paulo, a BIMESP traz a público obras significativas do repertório internacional da música eletroacústica, cobrindo os mais de 70 anos do gênero, desde seus primórdios ao final dos anos 1940 (com o advento da musique concrète francesa em 1948 e da elektronische Musik alemã em 1949), com a performance de obras de referência histórica, até composições da atualidade, em que os principais compositores da atualidade se veem representados, com grande participação de compositores e intérpretes nacionais e internacionais. Dessa forma, constitui hoje uma mostra única do que se faz de mais moderno na música que se apoia nas novas tecnologias, difundindo o que há de melhor e de mais atual na composição eletroacústica realizada nos principais Estúdios de Música Eletroacústica do mundo.
Estruturada em “Painéis”, a BIMESP promove concertos experimentais com os mais diversos estilos e gêneros da composição eletroacústica: da música dita acusmática (difundida exclusivamente por alto-falantes) à música eletroacústica mista; dos soundscapes (paisagens sonoras) à música computacional (realizada integralmente em sistemas de computação), incluindo obras audiovisuais com interação entre sons e imagens.
Dentro da música eletroacústica mista, a BIMESP tece um panorama que ilustra de modo substancial as duas facetas da interatividade entre recursos tecnológicos e escritura instrumental/vocal: há performance tanto de música mista em tempo diferido (instrumentos conjugados com sons eletroacústicos compostos previamente e fixados sobre suporte digital), quanto de música eletroacústica mista em tempo real (com transformações sonoras ao vivo dos instrumentos). E dentro das técnicas em tempo real ilustradas por obras programadas nas edições da BIMESP, há tanto composições que centram questão no tratamento espectral dos sons executados ao vivo, quanto obras que se utilizam de técnicas de síntese sonora em tempo real.
Os Painéis da BIMESP enfocam personagens fundamentais da história da música eletroacústica, a produção da música eletroacústica em determinados países, épocas distintas do fazer eletroacústico, recursos tecnológicos da interação com instrumentos acústicos, entre outros aspectos. Em suas edições ao longo de quase 30 anos de existência, a BIMESP revelou a atualidade e qualidade da música eletroacústica latino-americana, lançando uma luz sobre a produção do gênero na América do Sul, e revelou inúmeros compositores brasileiros, além de prestar homenagem a grandes precursores europeus e norte-americanos do gênero.
A cada edição da BIMESP, dezenas de obras do gênero eletroacústico são tocadas, e tem-se igualmente a participação de intérpretes de renome no cenário da música brasileira. Em edições passadas, o evento contou, por exemplo, com a participação da Camerata Aberta, do Percorso Ensemble e de inúmeros intérpretes de grande prestígio em nosso país.
Além disso, obras históricas desses mais de 70 anos de música eletroacústica são apresentadas ao público dentro das mais modernas condições tecnológicas, tendo como arsenal tecnológico o PUTS (PANaroma/Unesp: Teatro Sonoro), a primeira e única orquestra de alto-falantes do Brasil, fundada em 2002 à frente do Studio PANaroma da Unesp em São Paulo por Flo Menezes com o apoio da FAPESP, e que consiste, com sua configuração atual (cerca de 60 alto-falantes), no mais avançado sistema de difusão eletroacústica da América Latina.
A intensa produção do Studio PANaroma da Unesp também se vê representada na BIMESP. Jovens compositores, pertencentes à principal escola de composição eletroacústica do país, difundem seus trabalhos, que primam por uma cuidadosa elaboração da forma musical, da constituição dos espectros sonoros e da espacialidade dos sons.
E por falar em espacialidade sonora, é preciso que se diga que este é um dos pontos mais fundamentais das poéticas eletroacústicas e um dos focos da BIMESP. Os ouvintes são evolvidos pelos auto-falantes e os sons ocupam todo o espaço de escuta no teatro, que se converte em verdadeiro templo da experimentação e do prazer da escuta de novos timbres. A BIMESP é, portanto, o principal evento de música imersiva das Américas.
Certa vez disse John Cage, de modo muito pertinente, criativo e bem-humorado: “Happy new ears”! A Bimesp reforça este convite à escuta experimental, celebrando a radicalidade da composição e a estética dos novos sons e dos novos espaços.











